31a Bienal de SP – 2014 “Como falar sobre coisas que não existem”

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Histórias de Aprendizagem, de Voluspa Jarpa
Marcelo Rocha, com o grupo na 31a Bienal de SP
Marcelo Rocha, com o grupo na 31a Bienal de SP

Em outubro de 2014 a Artmotiv visitou a 31ª Bienal de São Paulo, e gostou do que viu. Ao contrário de muitas outras opiniões apressadas ou desinformadas, pudemos reconhecer no trabalho da curadoria um cuidadoso e legítimo esforço de colocar o mundo da arte, com tudo que ele envolve – obras de arte, artistas, curadores, profissionais variados, instituições, etc… –, a serviço da transformação da realidade. Em outras palavras, colocar em evidência inúmeros aspectos de nossa realidade que podem e precisam se transformar é o propósito que guiou todo o trabalho da curadoria, e que se reflete claramente em seu nome: Como (…) coisas que não existem, sendo que inúmeras palavras são sugeridas para preencher a lacuna: imaginar, procurar, construir, lutar por, etc… . Assim, desde o primeiro momento – aquele em que o visitante entra em contato com o título – o público se percebe como parte ativa, como agente ativo, na construção do que esta bienal é; e, por extensão, também do que o mundo mesmo é. Um exemplo significativo, entre muitos outros, é o do coletivo boliviano Mujeres Criando, e de sua polêmica obra Espacio para Abortar: depoimentos de mulheres variadas, e as duras circunstâncias em que foram levadas a abortar, levantam questões relativas à hipocrisia dos valores morais, bem como à falta de adequação de nossas leis, feitas majoritariamente por homens, com relação a um tema que trata do corpo feminino. O resultado plástico simplesmente não é uma questão: trata-se de uma estrutura improvisada para que o grupo, formado por feministas, ativistas políticas, prostitutas, comerciantes, etc…, realize suas passeatas e intervenções públicas. Adaptado para o espaço da bienal, esta obra incorporou depoimentos comoventes de brasileiras dos mais variados extratos sociais, relatando o absurdo dos preconceitos sociais e da legislação sobre o tema. Neste, como em outros casos, concordamos com artistas e curadores: sim, esta realidade pode, e deve, mudar.

“Turning a Blind Eye” de Bik Van der Pol, 2014 é uma investigação sobre acontecimentos recentes no Brasil e no mundo a partir de tensões em torno da exploração do espaço urbano e natural. Este programa contou com a participação do público geral, de alunos da School of Missing Studies e de universidades e organizações em São Paulo.
Sem Título - Éder Oliveira 2014 Pinturas murais de grandes proporções, retratam personagens que a sociedade estigmatiza: criminosos cujas imagens são publicadas em jornais sensacionalistas nas páginas policiais de jornais paraenses, cidade onde mora
Sem Título – Éder Oliveira 2014
Pinturas murais de grandes proporções, retratam personagens que a sociedade estigmatiza: criminosos cujas imagens são publicadas em jornais sensacionalistas nas páginas policiais de jornais paraenses, cidade onde mora
Qiu Zhijie e a obra
Qiu Zhijie e a obra “Map”, traçada na rampa principal da Bienal
Obra do artista romeno Dan Perjovschi
Obra do artista romeno Dan Perjovschi

Fotos: Christiane Laclau

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