Doris Salcedo: Arte, Política e Memória

ARTMOTIV comenta nesta semana o trabalho de Doris Salcedo, artista colombiana nascida em 1958 que se tornou conhecida por grandes obras públicas que lidam com questões como a perda, o luto, e a memória. Suas instalações remetem à situação política que envolve seu país natal e à sua própria história familiar, marcada pela perda de familiares para a arraigada violência entre o exército, os grupos paramilitares e os cartéis da droga; mas também refletem questões relativas à segregação, ao preconceito, e aos conflitos que envolvem a imigração e a intolerância racial.

A artista colombiana, Doris Salcedo.
A artista colombiana, Doris Salcedo.

A obra de 2002 chamada Noviembre 6 y 7, por exemplo, enfoca a tomada da Suprema Corte em Bogotá, no ano de 1985, pelo grupo guerrilheiro M-19: nesta ocasião, o edifício foi ocupado por 53 horas, resultando em um massacre que mataria mais de cem pessoas, entre rebeldes, soldados, e aproximadamente metade dos juízes da Suprema Corte. Para comentar este acontecimento dramático da história do país, Salcedo pendurou no Palácio da Justiça, pouco a pouco, durante as mesmas 53 horas, centenas de cadeiras, marcando a ausência de cada uma das pessoas mortas no massacre, em uma espécie de “ato de memória”.

“Noviembre 6 y 7”, obra que enfoca a tomada da Suprema Corte em Bogotá, no ano de 1985

Na Bienal de Istambul de 2003 Salcedo preencheu com cerca de 1500 cadeiras um espaço em ruínas entre dois prédios, originalmente habitados por imigrantes gregos e judeus, posteriormente forçados a abandonar o local. Na Tate Modern, em 2007, ela realiza a obra Shibbolet, uma fratura de 167 metros no piso do hall de entrada que expõe, segundo suas próprias palavras, a presença do preconceito e da segregação racial, resultado da experiência de uma artista do terceiro mundo no coração da Europa. Como vemos, a perplexidade de Doris Salcedo com a violência e a exclusão ultrapassa as fronteiras da Colômbia e da América Latina, em um lamento que abrange o mundo inteiro.

Bienal de Istambul de 2003, cerca de 1500 cadeiras entre ruínas
Bienal de Istambul de 2003, cerca de 1500 cadeiras entre ruínas
Shibboleth Tate Modern
Shibboleth Tate Modern
Uma fratura de 167 metros no piso do hall da Tate Modern
Uma fratura de 167 metros no piso do hall da Tate Modern
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